EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PIS. COFINS. SISTEMA MONOFÁSICO. ART. 17 DA
LEI N. 11.033/2004. TEMA 1.093.
I - A discussão objeto dos presentes autos foi afetada para
julgamento sob a sistemática dos recursos repetitivos (REsp
1.894.741/RS e REsp 1.895.255/RS - Tema 1.093), de relatoria do
Ministro Mauro Campbell Marques. Em síntese, a Primeira Seção do
Superior Tribunal de Justiça dedicou-se a apreciar as seguintes
questões: a) se benefício instituído no art. 17 da Lei n.
11.033/2004 somente se aplic
EREsp 1738289
Órgão julgador: PRIMEIRA SEÇÃO
Relator(a): FRANCISCO FALCÃO
EMENTA
EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PIS. COFINS. SISTEMA MONOFÁSICO. ART. 17 DA
LEI N. 11.033/2004. TEMA 1.093.
I - A discussão objeto dos presentes autos foi afetada para
julgamento sob a sistemática dos recursos repetitivos (REsp
1.894.741/RS e REsp 1.895.255/RS - Tema 1.093), de relatoria do
Ministro Mauro Campbell Marques. Em síntese, a Primeira Seção do
Superior Tribunal de Justiça dedicou-se a apreciar as seguintes
questões: a) se benefício instituído no art. 17 da Lei n.
11.033/2004 somente se aplica às empresas que se encontram inseridas
no regime específico de tributação denominado REPORTO; b) se o art.
17 da Lei n. 11.033/2004 permite o cálculo de créditos dentro da
sistemática da incidência monofásica do PIS e da COFINS; e c) se a
incidência monofásica do PIS e da COFINS se compatibiliza com a
técnica do creditamento.
II - Com o julgamento do recurso repetitivo, a Primeira Seção do
Superior Tribunal de Justiça firmou a seguinte tese: "1. É vedada a
constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da
COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do
Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica
(arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). 2.
O benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, não se
restringe somente às empresas que se encontram inseridas no regime
específico de tributação denominado REPORTO. 3. O art. 17, da Lei
11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja
constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não
permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP
e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n.
1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada
pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n.
10.833/2003. 4. Apesar de não constituir créditos, a incidência
monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não é
incompatível com a técnica do creditamento, visto que se prende aos
bens e não à pessoa jurídica que os comercializa que pode adquirir e
revender conjuntamente bens sujeitos à não cumulatividade em
incidência plurifásica, os quais podemlhe gerar créditos. 5. O art.
17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na
aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência
plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos ) quando as
respectivas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota
0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da
COFINS, não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de
aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à
tributação monofásica."
III - Na origem, trata-se de mandado de segurança coletivo impetrado
com a finalidade de ver reconhecido o direito ao aproveitamento de
créditos relativos ao regime não cumulativo de recolhimento do PIS e
da COFINS, na forma do art. 16 da Lei n. 11.116/2005, sem as
restrições contidas na IN n. 594/2006, desde agosto de 2004 (ou
seja, desde o advento do art. 16 da MP n. 206/2004, convertida no
art. 17 da Lei n. 11.033/2004).
IV - Conforme exposto, a Primeira Seção do Superior Tribunal de
Justiça, ao apreciar o Tema 1.093, concluiu que o benefício
instituído no art. 17 da Lei n. 11.033/2004 não se restringe ao
REPORTO, porém não permite a constituição de créditos de PIS e
COFINS sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação
monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, b, da Lei n.
10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003.
V - Embargos de divergência providos. Recurso especial improvido.