PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. FEITO ORIGINÁRIO ANALISADO EM
RECURSO ESPECIAL. REMESSA NECESSÁRIA. CONDENAÇÃO QUE NÃO
ULTRAPASSARIA SESSENTA SALÁRIOS-MÍNIMOS. NÃO HÁ QUE SE FALAR EM
VIOLAÇÃO MANIFESTA DE NORMA JURÍDICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL SOBRE
A LIQUIDEZ DA SENTENÇA. NÍTIDO PROPÓSITO DE REDISCUSSÃO DO
PRONUNCIAMENTO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA
DECISÃO RECORRIDA.
I - Trata-se de ação rescisória com fundamento no
art. 966, V, VII e VIII, do Código de Processo Civil, o
AgInt na AR 7682
Órgão julgador: PRIMEIRA SEÇÃO
Relator(a): FRANCISCO FALCÃO
EMENTA
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. FEITO ORIGINÁRIO ANALISADO EM
RECURSO ESPECIAL. REMESSA NECESSÁRIA. CONDENAÇÃO QUE NÃO
ULTRAPASSARIA SESSENTA SALÁRIOS-MÍNIMOS. NÃO HÁ QUE SE FALAR EM
VIOLAÇÃO MANIFESTA DE NORMA JURÍDICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL SOBRE
A LIQUIDEZ DA SENTENÇA. NÍTIDO PROPÓSITO DE REDISCUSSÃO DO
PRONUNCIAMENTO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA
DECISÃO RECORRIDA.
I - Trata-se de ação rescisória com fundamento no
art. 966, V, VII e VIII, do Código de Processo Civil, objetivando a
desconstituição de acórdão proferido pela Quinta Câmara de Direito
Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. O referido
Tribunal declinou a competência para apreciação do pedido rescisório
ao Superior Tribunal de Justiça, ao fundamento de que o feito
originário foi analisado em recurso especial, que examinou
expressamente a questão afeta ao cabimento do reexame necessário,
objeto da rescisória. Agravo interno interposto pelo demandante
contra decisão que julgou improcedente o pedido rescisório.
II - O
acórdão rescindendo trata exclusivamente do cabimento, no caso
originário, da remessa necessária, tendo concluindo por sua
dispensa, uma vez que o valor da condenação ou do direito
controvertido não ultrapassaria sessenta salários-mínimos. A
Primeira Seção do STJ já proclamou que "não cabe ação rescisória
para desconstituir julgados se a matéria objeto da decisão
rescindenda é diversa da que foi suscitada no pedido da rescisória".
(STJ, AR 4.314/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, DJe
de 24/10/2017.)
III - Verifica-se que o STJ aplicou, ao caso, sua
jurisprudência consolidada, não havendo que se falar em violação
manifesta de norma jurídica. Veja-se: AgInt no AgInt no REsp n.
1.856.701/PR, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma,
julgado em 30/10/2023, DJe de 6/11/2023.
IV - A ação rescisória
fundamentada no art. 966, VII, do CPC pressupõe a apresentação de
prova nova obtida pelo autor após o trânsito em julgado, cuja
existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só,
de lhe assegurar pronunciamento favorável, o que não foi feito no
caso dos autos. No mesmo sentido: AgInt na AR n. 7.000/DF, relator
Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Seção, julgado em
28/11/2023, DJe de 30/11/2023. AgInt na AR n. 7.434/RO, relator
Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 29/8/2023, DJe
de 21/9/2023.
V - Quanto ao alegado "erro de fato", assim como
disposto no inciso VIII do art. 966 do CPC, não merece melhor sorte
a parte autora. A ação rescisória fundada em erro de fato pressupõe
que a decisão tenha admitido um fato inexistente ou tenha
considerado inexistente um fato efetivamente ocorrido, mas, em
quaisquer dos casos, é indispensável que não tenha havido
controvérsia nem pronunciamento judicial sobre ele (art. 966, § 1º,
do CPC/2015). Alega a parte autora que o erro de fato reside na
discussão da liquidez ou não da sentença. Compulsando os autos,
observa-se que a questão atinente à liquidez, ou não, da sentença
foi alvo de controvérsia e, após, pronunciamento judicial, obstando,
assim, o conhecimento da presente ação rescisória quanto ao alegado
erro de fato. No mesmo sentido: AgInt na AR n. 6.991/BA, relatora
Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 5/3/2024, DJe de
7/3/2024. AR n. 6.180/SE, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira
Seção, julgado em 9/8/2023, DJe de 15/8/2023.)
VI - A pretensão da
parte autora é no sentido de utilização da ação rescisória como
recurso, porquanto ajuizada com o nítido propósito de rediscutir o
acerto do acórdão transitado em julgado.
VII - Agravo interno
improvido.