PROCESSUAL PENAL. QUESTÃO DE ORDEM. AÇÃO PENAL. AUTORIDADE COM
PRERROGATIVA DE FORO NO STJ. SUPOSTA PRÁTICA DE CRIMES CONTRA A
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DE LAVAGEM DE DINHEIRO E DE ORGANIZAÇÃO
CRIMINOSA. MEDIDAS CAUTELARES. PRORROGAÇÃO. ART. 282, I E II, DO
CPP. ART. 2°, § 5°, DA LEI 12.850/2013. PRECEDENTES DO STJ.
I. Hipótese dos autos
1. Examina-se petição incidental apresentada pelo MPF, na qual se
postula a prorrogação das medidas cautelares previstas no art. 319,
III e VI, e no art. 320, ambo
QO na APn 1076
Órgão julgador: CORTE ESPECIAL
Relator(a): NANCY ANDRIGHI
EMENTA
PROCESSUAL PENAL. QUESTÃO DE ORDEM. AÇÃO PENAL. AUTORIDADE COM
PRERROGATIVA DE FORO NO STJ. SUPOSTA PRÁTICA DE CRIMES CONTRA A
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DE LAVAGEM DE DINHEIRO E DE ORGANIZAÇÃO
CRIMINOSA. MEDIDAS CAUTELARES. PRORROGAÇÃO. ART. 282, I E II, DO
CPP. ART. 2°, § 5°, DA LEI 12.850/2013. PRECEDENTES DO STJ.
I. Hipótese dos autos
1. Examina-se petição incidental apresentada pelo MPF, na qual se
postula a prorrogação das medidas cautelares previstas no art. 319,
III e VI, e no art. 320, ambos do CPP.
2. Na origem, tem-se que o Inquérito n. 1.475/DF foi instaurado para
apurar possível organização criminosa complexa, caracterizada pela
divisão de tarefas e dotada de aparato operacional dividido em
núcleos, que teria, em tese, se instalado no Poder Executivo do
Estado do Acre e, de forma orgânica e estruturada, supostamente vem
causando graves prejuízos ao erário, locupletamento de servidores
públicos e agentes políticos e danos sociais acentuados à população
daquela unidade da federação.
3. Em sessão de julgamento realizada no dia 15/05/2024, a Corte
Especial do STJ recebeu integralmente a denúncia oferecida contra
GLADSON DE LIMA CAMELI pela suposta prática dos crimes tipificados
nos arts. 312, 317 e 333, todos do Código Penal, no art. 1° da Lei
9.613/98, no art. 89 da Lei 8.666/93 e no art. 2º da Lei 12.850/13 e
prorrogou, pelo prazo de 01 (um) ano, as medidas cautelares
diversas da prisão aplicadas em relação ao Governador do Estado do
Acre.
II. Questão em discussão
4. Questão de ordem suscitada com o escopo de propor a prorrogação,
pelo prazo de 180 dias, de medidas cautelares diversas da prisão em
relação ao acusado que detém prerrogativa de foro nestes autos.
III. Razões de decidir
5. Restou reconhecido pela Corte Especial do STJ, quando do
recebimento da denúncia oferecida nos autos da APn 1.076/DF, que a
suposta organização criminosa é composta pelos núcleos político,
familiar, empresarial e operacional e funciona, em tese, com o
objetivo de viabilizar o possível desvio de grande soma de recursos
públicos por meio da suposta prática dos delitos de peculato,
corrupção ativa, passiva, fraude à licitação e lavagem de dinheiro,
tendo as empresas investigadas recebido, até a deflagração da
"Operação Ptolomeu III", mais de R$ 270.000.000,00, desde o ano de
2019 (primeiro ano do mandato de GLADSON DE LIMA CAMELI).
6. Conforme assentado pela Corte Especial, restaram reunidos, em
sede inquisitorial, dados de que a suposta organização seria
dividida em camadas e utilizar-se-ia de pessoas jurídicas com o
objetivo de firmar contratos maculados, em tese, por fraude,
sobrepreço e superfaturamento, sendo que os recursos públicos
possivelmente desviados seriam objeto de crimes de lavagem de
capitais por parte do núcleo operacional, composto por pessoas
físicas que manteriam relação próxima com o acusado GLADSON DE LIMA
CAMELI, e que atuaria com o escopo de dificultar o rastreamento do
dinheiro público, possivelmente vertido em prol da apontada ORCRIM.
7. A Corte Especial reconheceu, em juízo sumário de cognição, que a
apontada ORCRIM, em tese, é liderada por GLADSON DE LIMA CAMELI e
que os integrantes do grupo teriam funções bem delimitadas, havendo
indícios de que o Governador do Estado do Acre teria agido
ativamente para assegurar a execução do esquema investigado,
escolhendo, sem qualquer critério técnico, as empresas que
receberiam os pagamentos do Estado do Acre por serviços prestados.
8. Nos autos de 2 (dois) habeas corpus impetrados pela defesa do
referido acusado, o STF manteve as medidas cautelares decretadas
nestes autos.
IV. Dispositivo
9. Questão de ordem resolvida no sentido de prorrogar as medidas
cautelares pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias.