PROCESSO CIVIL E CONSTITUCIONAL. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA.
JUÍZO FEDERAL DO SEGUNDO NÚCLEO DE JUSTIÇA 4.0 DO RIO GRANDE DO SUL
- SJ/RS E O JUÍZO DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE
MONTENEGRO/RS. FORNECIMENTO DE TRATAMENTO DOMICILIAR (HOME CARE).
INAPLICABILIDADE DO TEMA N. 1234/STF. SERVIÇO DE SAÚDE NÃO
MEDICAMENTOSO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. RESPONSABILIDADE
TRIPARTITE. TEMA N. 793/STF. INTERESSE JURÍDICO DA UNIÃO AFASTADO
PELO JUÍZO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME PE
CC 214345
Órgão julgador: PRIMEIRA SEÇÃO
Relator(a): TEODORO SILVA SANTOS
EMENTA
PROCESSO CIVIL E CONSTITUCIONAL. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA.
JUÍZO FEDERAL DO SEGUNDO NÚCLEO DE JUSTIÇA 4.0 DO RIO GRANDE DO SUL
- SJ/RS E O JUÍZO DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE
MONTENEGRO/RS. FORNECIMENTO DE TRATAMENTO DOMICILIAR (HOME CARE).
INAPLICABILIDADE DO TEMA N. 1234/STF. SERVIÇO DE SAÚDE NÃO
MEDICAMENTOSO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. RESPONSABILIDADE
TRIPARTITE. TEMA N. 793/STF. INTERESSE JURÍDICO DA UNIÃO AFASTADO
PELO JUÍZO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME PELO JUÍZO ESTADUAL.
SÚMULAS N. 150 E 254/STJ. CONFLITO CONHECIDO PARA DECLARAR A
COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE
MONTENEGRO/RS, O SUSCITADO.
1. A pretensão da parte autora reside na
obtenção de tratamento de atendimento domiciliar (home care) em
virtude de sua patologia grave. É certo que, conforme a pacífica
orientação desta Corte Superior de Justiça, compete, a priori, à
Justiça Estadual o julgamento de causas referentes à questão ora
posta, que não é abarcada pelo Tema n. 1234 da Repercussão Geral do
STF.
2. É certo que, conforme a pacífica orientação desta Corte
Superior de Justiça, compete, a priori, à Justiça Estadual o
julgamento de causas referentes à questão ora posta, que não é
abarcada pelo Tema n. 1.234 da Repercussão Geral do STF.
3. Na
hipótese, o Juízo Federal afastou o interesse da União na respectiva
demanda o que atrai o teor Súmula n. 150/STJ, motivo pelo qual a
competência se consolida no juízo estadual.
4. Dado que não houve
recurso contra essa decisão, deve ser declarada a competência do
Juízo Estadual, conforme as disposições das Súmulas n. 150, 224 e
254 do STJ, que estabelecem que a ausência de interesse da União na
demanda conduz à competência da Justiça Estadual para julgamento da
causa.
5. Esse entendimento é corroborado por decisões monocráticas
recentes, como as constantes nos Conflitos de Competência n. 205.828
(Ministro Gurgel de Faria, DJe de 01/08/2024) e nº 208.855/RS
(Ministro Sérgio Kukina, D Je de 09/10/2024).
6. Válido mencionar
ainda as seguintes decisões monocráticas dessa Corte: CC n. 210.401,
Ministro Paulo Sérgio Domingues, DJEN de DJEN 11/02/2025; CC n.
206.998, Ministra Maria Thereza de Assis Moura, DJEN de DJEN
29/01/2025; CC n. 184.813/RN, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe
09/12/2021, CC n. 182.400/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe
13/10/2021.
7. A responsabilidade é tripartite e a parte escolheu
demandar contra o estado. Portanto, aplicada a orientação do Tema n.
793/STF, de Repercussão Geral, observa-se que no caso concreto não
se encontra guarida legal a inclusão da União no polo passivo da
demanda. Outrossim, o Juízo Federal decidiu de maneira fundamentada
e com sólidos argumentos pela inexistência de interesse da União no
feito.
8. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo de
Direito da 2ª Vara de Santo Ângelo-RS, o suscitado.