ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO
ESPECIAL. TEMA 1294/STJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR. MULTA
ADMINISTRATIVA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. DECRETO 20.910/1932.
INAPLICABILIDADE. ART. 1.022 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS.
MODIFICAÇÃO DO JULGADO. MERO INCONFORMISMO. PRETENSÃO DE
PREQUESTIONAMENTO DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
1. Embargos de declaração opostos contra acórdão da Primeira Seção
qu
EDcl no REsp 2002589
Órgão julgador: PRIMEIRA SEÇÃO
Relator(a): AFRÂNIO VILELA
EMENTA
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO
ESPECIAL. TEMA 1294/STJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR. MULTA
ADMINISTRATIVA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. DECRETO 20.910/1932.
INAPLICABILIDADE. ART. 1.022 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS.
MODIFICAÇÃO DO JULGADO. MERO INCONFORMISMO. PRETENSÃO DE
PREQUESTIONAMENTO DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
1. Embargos de declaração opostos contra acórdão da Primeira Seção
que, sob a sistemática dos recursos repetitivos (Tema 1294/STJ),
fixou tese no sentido de que "o Decreto 20.910/1932 não dispõe sobre
a prescrição intercorrente, não podendo ser utilizado como
referência normativa para o seu reconhecimento em processos
administrativos estaduais e municipais, ainda que por analogia".
2. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos
de declaração constituem recurso de fundamentação vinculada e de
natureza integrativa, destinado a sanar obscuridade, contradição,
omissão ou erro material, não se prestando à reforma do julgado nem
à rediscussão da matéria já decidida.
3. A parte embargante aponta a ocorrência de omissões no julgado,
especialmente quanto aos princípios constitucionais da razoável
duração do processo, do devido processo legal, da ampla defesa, da
segurança jurídica e da isonomia, defendendo que a ausência de
disciplina legal sobre a prescrição intercorrente configuraria
omissão legislativa a ser suprida pelo Poder Judiciário, nos termos
do art. 4º da LINDB.
4. O acórdão embargado examinou adequadamente a controvérsia,
consignando que o Decreto 20.910/1932 não disciplina a prescrição
intercorrente, o que afasta sua utilização como fundamento normativo
para o respectivo reconhecimento, ainda que por analogia. Destacou
que, por se tratar de matéria de interesse eminentemente local,
incumbe a cada ente federado, no exercício de sua autonomia,
discipliná-la por meio de lei própria. O acórdão consignou que não
cabe ao Poder Judiciário criar prazos ou marcos iniciais por
analogia ou interpretação extensiva, sob pena de usurpar a função
legislativa e ferir a autonomia dos estados e municípios. No tocante
ao direito à duração razoável do processo, reconheceu-se
expressamente a relevância do princípio, assentando-se, contudo, que
sua concretização depende de previsão legislativa específica, em
observância à separação dos poderes e à repartição constitucional de
competências. A tese firmada não reconheceu nova situação de
imprescritibilidade em favor da Administração Pública, apenas
afastou a possibilidade de criação judicial de nova modalidade de
prescrição sem respaldo legal.
5. A alegação de ofensa ao devido processo legal substancial, à
ampla defesa e à isonomia foi afastada, ainda que implicitamente,
pela fundamentação adotada, não configurando omissão, mas mera
pretensão de rediscutir matéria já examinada.
6. O recurso especial não é a via adequada para o exame direto de
suposta violação à Constituição Federal, matéria reservada ao
Supremo Tribunal Federal.
7. Não constatados os vícios indicados, devem ser rejeitados os
embargos de declaração, por consistirem em mero inconformismo da
parte.